Porto Feliz, berço das monções
Por Marco André Briones
Vista do rio Tietê e do antigo Engenho Central de Açúcar em Porto Feliz
Poucos municípios possuem uma relevância histórica tão expressiva na formação territorial do Brasil quanto a cidade de Porto Feliz, localizada no interior do estado de São Paulo.
Situada a cerca de 120 km da capital paulista, com aproximadamente 1h50 de viagem de carro, Porto Feliz é reconhecida como a capital das monções — expedições fluviais que ocorreram entre os anos de 1720 e 1850. Essas jornadas podem ser entendidas como uma continuidade das expedições realizadas pelos bandeirantes paulistas, desempenhando papel fundamental na ocupação e desenvolvimento da região Centro-Oeste, especialmente nos atuais estados de Mato Grosso e Goiás. Além disso, foram essenciais para a exploração do interior e a ampliação das fronteiras do país.

Essas expedições receberam o nome de monções por acontecerem entre o final de março e o início de junho, período em que os rios apresentavam níveis mais elevados. As viagens duravam, em média, cinco meses, percorrendo trajetos que ultrapassavam 3.500 quilômetros.
O início das monções
A história das monções teve início em 1718, quando o bandeirante Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro nas margens do rio Cuiabá, na região que hoje corresponde ao estado de Mato Grosso. A notícia se espalhou rapidamente pela então província de São Paulo, atraindo aventureiros de diversas regiões em busca das novas áreas de mineração.
Inicialmente, as expedições partiam de Santana de Parnaíba. No entanto, devido às dificuldades de navegação no rio Tietê nesse trecho, os viajantes passaram a iniciar suas jornadas a partir do porto de Araritaguaba — nome indígena que significa “local onde as araras bicam a areia”. Esse povoado deu origem à atual Porto Feliz, fundada em 1693 por Antonio Cardoso Pimentel, às margens do rio Anhembi, hoje conhecido como Rio Tietê.
O nome Porto Feliz, segundo relatos, surgiu pela fama de alegria e hospitalidade de seus moradores, especialmente nas celebrações que marcavam o retorno das expedições.
O Rio Tietê tornou-se um grande aliado dos bandeirantes, pois, diferentemente da maioria dos rios que seguem em direção ao litoral, ele corre para o interior do território. Isso fez do rio uma importante via de acesso para aqueles que buscavam explorar as regiões de Goiás e Mato Grosso em busca de riquezas naturais.
Porto das Monções
Às margens do Rio Tietê foi instalado um estaleiro na área hoje conhecida como Porto das Monções. Nesse local, eram construídos inúmeros batelões — embarcações produzidas a partir de grandes troncos de peroba-rosa escavados, inspiradas nas canoas indígenas. Esses barcos podiam atingir até 12 metros de comprimento e transportar cerca de 100 pessoas.
Atualmente, um dos batelões utilizados pelos bandeirantes está preservado em uma estrutura de vidro no Parque das Monções. A visita ao local proporciona uma experiência marcante, permitindo imaginar as expedições partindo rumo ao desconhecido em busca de ouro e pedras preciosas nas regiões mais remotas do Brasil.
A cidade de Porto Feliz abriga diversos pontos históricos de interesse. Entre eles, destaca-se a antiga residência do capitão-mor José Manoel de Arruda e Abreu, construída com técnicas tradicionais como taipa de pilão e pau a pique. O imóvel recebeu visitantes ilustres, como Dom Pedro II e o Duque de Caxias.
Desde 1961, a construção abriga o Museu das Monções, que atualmente passa por um processo de restauração.
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